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Fins do mundo

Era 2012. O dia em que os Mais previram que o mundo iria acabar. Você se reuniu com amigos, fizeram uma decoração especial, guloseimas, até playlist temática. Na hora marcada há não sei quantos séculos atrás, vocês comemoram. Sobrevivemos a mais um. Assim, leve, divertido. Mal sabia você que a vida iria ser uma sequência de “fins do mundo” que chegam sem pedir licença, te desmoronam, marcam uma era. Pesados, sisudos, mas necessários.
Agora, quando o choro sai fácil, suas obrigações se amontoam sem que você tenha o menor interesse em cumpri-las e “ensimesmar” se tornou quase um sinônimo para o seu nome, você se entrega. Não dá mais para colocar a sujeira pra debaixo do tapete. Carrego nos ombros apenas duas décadas de vida, e já tá pesado. Tralha acumulada que só me impede de andar em frente.
Assim, descobri que não tem nada demais em parar a vida um pouco pra olhar pra dentro. Ver o que anda incomodando, como também o que tem feito falta. Ajustar prioridades e respeitar meus limites, ciente de que esse processo é contínuo – já que a vida não para e a gente muda muito ao longo do trajeto.
Admito que é assustador. Encarar tópicos que a gente deixou de lado quase que a vida inteira, por medo de não saber aonde isso nos levará. Fins de relacionamentos, amizades, visões de mundo – no fundo, sabemos sim. É que ignorar é mais fácil. A verdade é que o fim do mundo não é essa festa com os amigos, mesmo que acabe tudo bem.  A gente sempre encontra resistência por preferir respeitar a si mesmo em vez de fazer o que esperam de nós. É ato de rebeldia contra nossa inércia natural.
6 Pensamentos

Sobre este conto de fadas

Olá,
Como vão?
Este poema é sobre o arrependimento. A falta de ousadia em se declarar para quem se ama. 
Ou pior: Sobre amar alguém que não demonstra o mesmo por ti.
Espero que gostem :)
Abraços e boa semana a todos.

Sobre este conto de fadas

Os abraços que dei sem nenhum afago
As cartas escritas e nunca enviadas
Os nossos Contos que não viraram de Fadas
As vezes que não adormeci envolto em teus braços

Os beijos roubados em que me virou o rosto inesperadamente
As danças negadas pela minha falta de jogo de cintura
Os problemas que enfrentei pois não pedi sua ajuda
As baladas que te impedi de ir por ciúmes loucamente

As noites em claro sentindo sua falta
Os seus livros que não li por preguiça
As vezes que me senti só estando em sua companhia
Os dias que abracei o travesseiro guardando esta mágoa

As mentiras que contei para não lhe machucar
Os desejos reprimidos na nossa cama
As frases nunca ditas por quem se ama
Os sonhos que não posso mais realizar

As flores que morreram porque esqueci de lhe mandar
Os sorrisos que não mostrou pois estava chateada
As brigas que tivemos naquela noite embriagada
Os muitos “Eu Te Amo” que nunca irei te falar.

AUTOR: HONORATO, Sandro.




3 Pensamentos

Lucília


Ele sussurra teu nome aos teus ouvidos como poesia. Lu-cí-li-a. Antigo, suave aos lábios. Um quê profundo, dirias. Então deixas percorrer teu corpo como labirinto, momentaneamente esquecida do amanhã. E uma parte de ti até se pergunta se vai durar.
 A vida te calejou um pouco. O medo de ser esquecida nos recantos do dia a dia está aqui, latente em cada milímetro da tua pele. Ele não percebe, ainda. Não te conheces. Vê a mulher forte que te tornastes, como a vida te sorriu. O produto de anos, lapidado. Que, mesmo assim, está insegura em querer demais, esperar demais, se decepcionar demais.
Quer deixar pra lá, bem sei. Tão habituada a ser só.
Sossega, Lucília. Esqueces que não precisas dele pra ser feliz.
6 Pensamentos

Des-Pai-Xão

Des-Pai-Xão

Não cumpri minha promessa, desculpa.

Aqui estou escrevendo sobre você.
Talvez seja efeito da garrafa de vodka que deixei vazia sobre a mesa antes de pegar a caneta e rabiscar este texto.
Ou talvez seja porque a única coisa que sei fazer na vida seja escrever. Porque não aprendi a amar.


Olhe a falta que você já me faz!

Sinto um vazio no peito mas eu não quero que por outra ele seja preenchido.
Sinto a minha vida se esvair e não encontro um porto a me ancorar.
Sinto frieza em minhas poesias mas o calor delas se foi contigo.
Sinto meus lábios se moverem mas as palavras sumiram.


Tem coisas na vida que não tem explicação.

Queria te fazer feliz mas é impossível já que só um dos lados quer a felicidade e o outro um ombro a se escorar de vez em sempre. Eu também existo quando seus contatinhos não lhe servem, ta?!

Queria lhe dedicar meu primeiro livro de poesias e dizer " fiz todas pensando em você ". Mas não se preocupe, no  fundo, os poemas melancólicos ainda são para ti.
Queria ser seu namorado. Alguém pra vida toda mas você mesma diz que não mandamos no coração. Errada estas, pois estou estou mandando no meu agora e te expulsando, com pesar, daqui.

O que me restou foram as cartas enviadas e não devolvidas.

Foram os muitos "te amo" que minha boca imunda pronunciou respondidas pelo eco de minha voz na minha cabeça e não por ti.
Foram os meus textos tristes para me auto-flagelar  no meio das madrugadas.
Foram os caminhos opostos de quem antes andavam de mãos dadas.
O que restou foi que em vez de criarmos nossos filhos, nosso jardim florido ou o sonhos de morarmos juntos deixamos nascer esta tal de despaixão... 


25.06.2017
05h 02min

AUTOR: HONORATO, Sandro.


4 Pensamentos

Dos motivos que nos trouxeram até aqui

Você virou a cara pra mim dia desses. Pela primeira vez. E a única coisa que pude pensar foi em como nós poderíamos evitar de se esbarrar por aí daqui em diante. Não posso culpá-lo. Até hoje não entendo como pôde se manter interessado em mim por tanto tempo. Não entendo como você encontrou alguém e mesmo assim teimava em me olhar com tanto carinho. Um carinho tímido, sim, mas que me constrangia pela intensidade. O seu olhar equivalia a um abraço.
Esses dias tenho preenchido meus pensamentos com os mais diversos pedidos de desculpas que nunca darei. O pudor não me permite. Por isso escrevo. Alivia, ainda que pouco, esse sentimento de culpa. Não que eu tenha te enganado até aqui, acho que sempre fui bastante sincera. Mas não gosto de como as coisas culminaram em você me evitando. É estranho perder esse olhar de quem me via melhor do que sou.
Se pudesse, gostaria de te dizer que eu não sou uma página em branco. Se o fosse, de bom grado deixaria você me rabiscar por inteira, certa de que faria um bom trabalho. É raro encontrar alguém com um coração tão grande que transborda às vistas de todos. Eu o deixaria entrar em minha vida sem rodeios, ainda que para bagunçá-la ou pô-la em ordem. Mas cada um sabe os por quês que carrega no peito, e o meu é prenome que ainda não se arquivou no passado.
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Alforria.

Alforria.

Não me pergunte se está tudo bem. Sabemos que a resposta vem sendo "não".
Está sendo mais difícil do que imaginei, sabe?
Escrever sempre foi tão fácil mas, você me tira as palavras da boca e agora do papel.
EU SEI que tu vai ler!
Você sempre lê o que escrevo e nem um "obrigado" tenho recebido. Provavelmente irei ler um "hum" teu.
Lembro-me quando você me dilacerou e falou que gostava de outro alguém. Você esqueceu né?
Quem bate sempre esquece e quem apanha sempre lembra. E sempre lembrarei de você, meu bem.
Lembrarei das noites batendo papo até um dos lados cederem o sono. Vou lembrar da última vez que te vi pessoalmente e quando te abracei não sabia se ia soltar. Sempre lembrarei das músicas que cantamos um pro outro via áudios no whatsapp. Mas nós sabemos, podíamos ter feito uma melodia melhor para este final. Odeio marcha fúnebre.

Queria que não fosse assim. Queria te dizer cara a cara. Mas a vida te levou para outro estado e o meu estado hoje é de calamidade pública. Respiro por aparelhos com este sentimento que sabemos que um tem pelo outro mas nenhum dos dois quer admitir. Quer merda de orgulho besta é este ein?

Eu nunca havia dito a você, mas eu te Amo.
Daria o meu calor para te aquecer no frio que ai faz.
Daria minhas poesias para que seus dias fossem sempre iluminados.
Daria meu sorriso para nunca mais te ver chorar.
Daria meu restante de vida para viveres bem.
Eu daria isso tudo mas estou simplesmente lhe dando meu último texto de amor sobre nós.

Eu tenho prendido sua alma neste recipiente que eu chamo de coração e não tenho deixado você bater asas para o lar que tanto lhe merece. Outro alguém lhe espera e não é este aqui que brinca com poesia.
Amar é isso, estar preso a um sentimento mas querer que seu amor seja livre ao mesmo tempo.
Por isso, receba a sua carta de alforria agora. Vá em busca dos teus sonhos. Vá beijar a boca que tanto anseia. Vá abraçar os braços que te aguardam. Vá ser os versos na vida de um verdadeiro poeta.
01:12

12.06.217


HONORATO, Sandro.

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