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  • "Transbordando sentimentos puros em palavras"

    Categoria: Samyle S.

    Samyle S.Textos

    Tutorial: como não ser um babaca

    outubro 01, 2017 • Samyle S

     

    Você está a fim dela. Moça bonita, simpática, gente fina. Excessivamente tímida, coitada. Um tanto difícil também, você sabe que precisa conquistá-la. Um bom papo, gentilezas aqui e acolá.  Para demonstrar interesse, você sempre a toca: ombros, mãos, braço. Ela, acanhada, sorri de leve. Incentivo suficiente.

    Uma abertura pequena à vista, você passa a mão. Costas, cintura, dissimuladamente perto do seio. E não é só uma mão, é aquela mão. Com desejo. Você faz isso, é claro, em um local público. É só uma demonstração de carinho, afinal. Inofensiva.

    Veja bem, o óbvio precisa ser dito: o corpo dela não é público. Ninguém tem o direito de passar a mão em alguém sem expresso consentimento. E sorrisos, especialmente vindo de gente que não demonstra interesse, raramente significam “sim”. Para não correr o risco de ser agressivo com seus “carinhos”, é bem fácil. Convida a menina para ir ao cinema.  Ou vai me dizer que você tem coragem de passar a mão no corpo dela, mas não consegue fazer um simples convite?

    Se a resposta for sim, talvez a questão não seja falta de coragem. Talvez seja bem mais fácil se aproveitar dela assim, disfarçadamente, no meio de várias pessoas, para deixá-la envergonhada em dizer que seu carinho, na verdade, incomoda. Porque, afinal, ela não quer fazer escândalo. Quem vai querer chamar a atenção geral quando já se está sentindo vulnerável, não é mesmo?

    Então, agora que você está ciente disso, bora combinar: chama a menina pra sair. Pede permissão. Do contrário, é violência, não carinho.

     

    Autora: Samyle S.

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    Tutorial: como não ser um babaca

    outubro 01, 2017 • Samyle S

     

    Você está a fim dela. Moça bonita, simpática, gente fina. Excessivamente tímida, coitada. Um tanto difícil também, você sabe que precisa conquistá-la. Um bom papo, gentilezas aqui e acolá.  Para demonstrar interesse, você sempre a toca: ombros, mãos, braço. Ela, acanhada, sorri de leve. Incentivo suficiente.

    Uma abertura pequena à vista, você passa a mão. Costas, cintura, dissimuladamente perto do seio. E não é só uma mão, é aquela mão. Com desejo. Você faz isso, é claro, em um local público. É só uma demonstração de carinho, afinal. Inofensiva.

    Veja bem, o óbvio precisa ser dito: o corpo dela não é público. Ninguém tem o direito de passar a mão em alguém sem expresso consentimento. E sorrisos, especialmente vindo de gente que não demonstra interesse, raramente significam “sim”. Para não correr o risco de ser agressivo com seus “carinhos”, é bem fácil. Convida a menina para ir ao cinema.  Ou vai me dizer que você tem coragem de passar a mão no corpo dela, mas não consegue fazer um simples convite?

    Se a resposta for sim, talvez a questão não seja falta de coragem. Talvez seja bem mais fácil se aproveitar dela assim, disfarçadamente, no meio de várias pessoas, para deixá-la envergonhada em dizer que seu carinho, na verdade, incomoda. Porque, afinal, ela não quer fazer escândalo. Quem vai querer chamar a atenção geral quando já se está sentindo vulnerável, não é mesmo?

    Então, agora que você está ciente disso, bora combinar: chama a menina pra sair. Pede permissão. Do contrário, é violência, não carinho.

     

    Autora: Samyle S.

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    Ferida aberta

    setembro 17, 2017 • Samyle S

    Inês, perdoa a falta de jeito dele. Você pediu o que ele não podia dar. Ele se deu até o limite que você mesma impôs. E você, ainda incerta entre o desejo e a quimera, repeliu a ambos. Repeliu o ‘nós’.

    Vê-lo dói. Você disfarça com uma raiva vinda sabe-se lá de onde, ele te olha sem entender o por quê. Nem você sabe o por quê, Inês. Enumera os mil defeitos dele, bem como o trato que te destratou. Mas não basta. É só ferida aberta, você que não superou.

    Autora: Samyle S.

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    Quanto vale o tempo?

    setembro 03, 2017 • Samyle S

    Hoje, ao olhar pela janela do meu quarto,  fiz-me essa pergunta. “Quanto vale o tempo?” Assustei-me com a profundidade dela, o modo como me veio e principalmente pelo por que. Confesso que tudo isto e o fato de que neste exato momento tenho lágrimas nos olhos advém ingenuamente de um livro que é uma releitura de um conto de fadas. Sim, eu também acharia graça se fosse você.

    Nunca, ao simplesmente baixar um livro com o único propósito de ser mais um número na minha lista desse ano, poderia supor o quanto mexeria comigo. Você, se lê-lo, provavelmente vai me considerar meio… louca. Falo isso por falta de descrição melhor. O meu lado racional está gritando que estou fazendo um alarde por uma escrita meia-boca e um enredo de uma originalidade peculiar, mas previsível, enquanto meu lado emocional me lembra o quanto eu chorei ao me colocar no lugar daquela criança de cem anos de idade. Irônico, eu sei.

    Na verdade, estou agarrada ao meu travesseiro(sem coragem de tirar minha ursinha de pelúcia de roupinha rosa – chamada Romã – de dentro da embalagem que a protege do pó) indagando por que diabos as pessoas insistem tanto em fugir da realidade. Confesso que de um modo bizarro me vi em Rose Samantha Fitzroy, não porque tenha pais donos da maior empresa do mundo, capazes de comprar uma máquina e me colocarem lá dentro durante anos, ou meses dependendo do bom humor deles, para dormir. E sim porque nunca me permiti viver. Tenho minha própria máquina barata chamada alienação.

    Essas máquinas, a propósito, são intrinsecamente diferentes. Enquanto uma mantém jovem eternamente, a outra te tira alguns prazeres pueris, por causa do amadurecimento precoce, dependendo do caso, ou te transporta para uma dimensão paralela em que você simplesmente diz “dane-se” e vai viver – particularmente acho essa bem interessante. Mas por que criamos isso? Por que temos essa necessidade de fugir de fantasmas interiores que sabemos que não são reais? Por que não dá pra “encarar”? Nos afogamos no trabalho, livros, exercícios. Coisas que aparentemente são boas, até mesmo saudáveis que, entretanto, estão nos destruindo.

    Então você só olha para a janela. Quanto, quanto vale o seu tempo? Amanhã você pode acordar e perceber que seus pais, seus amigos, a sua familiar tecnologia, o amor da sua vida… tudo o que um dia foi você, simplesmente se esvaiu. Perdeu um dia, uma semana, um mês de férias, dois dias de aula, por nada. O seu alarme toca avisando da prova de matemática da semana que vem, do trabalho de física que você não fez e nada faz sentido.

    Viver dói. Simples assim. É muita mais fácil se afundar em alguma coisa e esquecer de si mesmo. Até a esperança de um milagre corta. Mas dormir por sessenta e dois anos só vai piorar tudo. Não é isso que quero dizer, afinal? Dê valor ao seu tempo. Permita-se.

    Escrevi esse texto há pouco mais de quatro anos, quando ainda mantinha um blog pessoal, estava no colégio e vivia à flor da pele. De todos os textos que ainda tenho daquela época, esse é o que mais gosto. Acho engraçado que me achava super profunda no auge dos meus quinze anos, e hoje sinto certo embaraço quanto ao que escrevi. Exceto esse texto. Provavelmente porque essa pergunta continua ecoando em mim ao longo destes quatro anos (e, creio eu, pelo resto da minha vida). Espero que esse texto ecoe em você também.

    Autora: Samyle S.

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    Reticenciar

    agosto 19, 2017 • Samyle S

    “Nós utilizamos reticências e não ponto final”. Foi nisto em que pensamos ao nos esbarrarmos por aí, de repente. Após três anos de uma história nunca resolvida. Ressentimentos aqui, mal entendidos acolá. Um pedido de desculpas desengonçado. Eis que a pausa foi insuficiente para nos aquietar: era o primeiro amor.

    Vorazes um pelo outro, mergulhamos neste novo tão familiar. Entrelaçamos nossos cotidianos, ansiosos por mostrar tudo que aconteceu quando não estávamos juntos. Você, com a mesma risada escapando dos lábios ante as minhas divagações. Eu, com meu dengo de menina mimada agora ligeiramente dissimulado.

    Estamos iguais, você brinca. E eu acho graça por não saber bem como responder. Conto que gravei na memória tua voz, teu desenho, e muito me admirei ao esbarrar em minha lembrança materializada. Você confessa que se aproximou por me achar mais bonita agora, e me ressinto por essa falta de tato.

    Os dias passam. Sua sinceridade me dói. Meu jeito lúdico, quiçá piegas, o incomoda. Embruteço-me um pouco, me engano dizendo que é hora de crescer. Então você me diz que ando mudada. Rio, porque sei responder. Nós é que nos idealizávamos.

    Autora: Samyle S.

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    Fins do mundo

    julho 19, 2017 • Honorato, Sandro
    Era 2012.
    O dia em que os Maias previram que o mundo iria acabar.
    Você se reuniu com amigos,fizeram uma decoração especial, guloseimas, até playlist temática.
    Na hora marcada há não sei quantos séculos atrás, vocês comemoram.
    Sobrevivemos a mais um.
    Assim, leve, divertido. Mal sabia você que a vida iria ser uma sequência de
    “fins do mundo” que chegam sem pedir licença, te desmoronam, marcam uma era.
    Pesados, sisudos, mas necessários.
    Agora, quando o choro sai fácil, suas obrigações se amontoam sem que você tenha o menor interesse em cumpri-las e “ensimesmar” se tornou quase um sinônimo para o seu
    nome, você se entrega. Não dá mais para colocar a sujeira pra debaixo do tapete.
    Carrego nos ombros apenas duas décadas de vida, e já tá pesado.
    Tralha acumulada que só me impede de andar em frente.
    Assim, descobri que não tem nada demais em parar a vida um pouco pra olhar pra dentro.
    Ver o que anda incomodando, como também o que tem feito falta. Ajustar
    prioridades e respeitar meus limites, ciente de que esse processo é contínuo – já
    que a vida não para e a gente muda muito ao longo do trajeto.
    Admito que é assustador. Encarar tópicos que a gente deixou de lado quase que a vida
    inteira, por medo de não saber aonde isso nos levará. Fins de relacionamentos, amizades,
    visões de mundo – no fundo, sabemos sim. É que ignorar é mais fácil. A verdade
    é que o fim do mundo não é essa festa com os amigos, mesmo que acabe tudo bem.  A gente sempre encontra resistência por preferir respeitar a si mesmo em vez de fazer o que esperam de nós.
    É ato de rebeldia contra nossa inércia natural.

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